Linux 2009

O 7º Encontro Nacional de Tecnologia Aberta realizou-se na última quinta-feira e estive presente pelo terceiro ano consecutivo. Não tive a oportunidade de assistir a algumas palestras devido ao horário dos comboios, mas ficam aqui alguns bits sobre o encontro:

  • Palestra “Software OS: Potenciando riqueza, emprego e conhecimento”: O Pop Ramsamy que me desculpe, mas esta foi a pior palestra do evento! Notava-se que ele não estava nada à vontade e que não tinha preparado o que ia dizer durante os slides. Apesar de se tratar da realidade espanhola, a apresentação de alguns dados deveria ter alguns pontos de igualdade com Portugal e poderia ser um bom tema para uma introspecção com a nossa realidade, mas com uma apresentação destas fiquei somente aliviado quando acabou.
  • Palestra “Caixa Mágica: 650.000 sistemas instalados e sempre a crescer!”: Aqui estava à espera de um pouco mais de informação de como nasceram as Caixa Mágica nos Magalhães, os obstáculos e as conquistas, mas ficamos somente com o tradicional info-report do Paulo Trezentos sobre a Caixa Mágica. Foi no entanto agradável ouvir números como 450.000 Caixas Mágicas nos Magalhães e portáteis e-escolas, o lançamento do STPOffice (São Tomé e Príncipe Open Office), o dudf.caixamagica.pt e o http://contribware.caixamagica.pt/. Saliento também a mudança de rumo das appliances da Caixa Mágica, das anteriores CM Pro*, para as CAMES (Caixa Mágica Enterprise Server – uma parceria Caixa Mágica / Iportal+), e claro, não podia deixar de destacar também a “mega-produção hollywoodesca”  ‘O Adepto’ (video no final do post).
  • Palestra “Is there a real alternative do MS Exchange? What will be the trend of enterprise class collaboration and Groupware in 2010?”: O italiano Pascal Lauria da Scalix foi uma agradável surpresa. Uma apresentação do Scalix que já fazia falta.
  • Palestra “Red Hat & JBoss: Open Source – Open Standards – Open content in the future”: O “evangelista” Jan Wildeboer nunca desaponta, tendo este ano focado os open standards e a visão da Redhat sobre estes temas. É externamente agradável ouvi-lo porque o homem sabe do que fala, tem muito bons argumentos e tem sempre uma visão muito correcta (IMO) dos factos e acontecimentos Open Source e até das posições das empresas close-source/close-standards.
  • Palestra “Integração Open Source com Software Proprietário, do Desktop ao Servidor – Novell Workgroup Suite, Active Directory”: O João Batista, , vendeu a empresa que representa e defendeu a sua dama. Não se poderia esperar muito melhor de um Director-geral da Novell Portugal.
  • O debate foi moderado pelo Paulo Querido, que me deixou um pouco desiludido pelo ao facto de não ter conseguido mobilizar a audiência, de não ter lançado algumas perguntas para abrir as hostes e também por permitir que em alguns assuntos os dois (!) representantes da Novell entrassem em ciclo publicitário.
  • Na minha opinião a presença do representante da Microsoft já satura um pouco, porque já todos nós sabemos qual as suas posições, métodos e tácticas de contra-ataque.  Talvez fosse muito mais produtivo convidar outro tipo de locutores para os debates, como deputados, membros da administração central, universitários ou economistas para dar outra visão do software livre.
  • Uma chamada de atenção para a excelente comentário do Gustavo Homem e do remate final do Paulo Trezentos – só com estes 2 poderíamos ter um KO por knock-out da Microsoft neste debate.
  • Após o debate tivemos o pausa para o almoço (que em abono da verdade teve aquém da edição anterior) onde pudemos comer, navegar pelos stands e socializar. Talvez pela crise, talvez pela falta de “momentum” do Linux, notou-se uma menor presença de fornecedores e stands mas ao menos foi agradável ver a Nokia presente com um stand.
  • Palestra “Novell: Caso de Sucesso ‘Cafés Nandi’ – Implementação de Solução Colaborativa Novell em ambiente Virtual de Alta Disponibilidade”: O João Ferreira da Informantem apresentou a solução implementada. Para a primeiro case-study da tarde, pós-almoço, a palestra correu bastante bem.
  • Palestra ‘Scalix: Why Leoni choose Scalix over MS Exchange and Lotus Notes?’: O Pascal Lauria, relatou o processo de escolha, os obstáculos e soluções encontradas para ganharem um grande cliente como a Leoni, com 52.000 empregados espalhados pelo mundo, e bater os pesos pesados como a Microsoft, Oracle e IBM.
  • Palestra ‘IPBrick: The Groupware Solution for heterogeneous environments based in Windows, Linux and Macintosh Desktops’: Em vez do Raúl Oliveira tivemos a Susana Pinheiro a explicar de uma forma “à-la” iPortal+ os desafios e problemas de uma solução Groupware completamente baseada em Open Source, a solução e os processo de instalação do IPBrick e também uma pequena demonstração do produto. Fica a nota de talvez ter sido talvez a 1ª mulher a pisar os palcos deste evento!
  • Palestra “ANSOL: Como o Software Livre contribui para a transparência na Administração Pública”: A palestra do Rui Miguel Seabra onde foi apresentada a ANSOL pecou por tardia, uma vez que fazia já falta uma apresentação pública neste evento da Associação Nacional para o Software Livre. Para a primeira apresentação da ANSOL acho que poderiam ter apostado numa mensagem mais clara e esclarecedora de o que é a ANSOL, qual a sua filosofia e objectivos (ficou constatado que existia um elevado número dos presentes que desconheciam por completo esta associação), mas em vez disso apostaram no “faits diver” da Transparência na AP.
  • Esperemos para o ano uma apresentação da ANSOL mais focalizada para as vantagens do software livre, com uma forte mensagem de mobilização dos presentes para a sua causa e menos tempo perdido com o bota-à-baixo à “outra senhora” (Microsoft) ou ao Governo.
  • Infelizmente tive que me retirar depois desta palestra e não tive oportunidade de ver as restantes palestras e eventos agendados: “Sybase: EDP – Gestão documental ao serviço do público”, “KDE Oxygen: Oxygen, comes in all sorts of flavours”, “DRI: Desmitificação do modelo económico Open Source”, a entrega dos Prémios ESOP e a assinatura do Memorando de Entendimento “Open e-Schools Alliance”.

Como nota final aproveito o post para lançar alguns pensamentos soltos que me ficaram retidos:

  • Atrasos: Os tradicionais atrasos portugueses neste tipo de eventos poderiam e deveriam ser minimizados ao máximo. O evento já tem alguns anos e a máquina já deveria estar devidamente oleada para conseguir diminuir os atrasos e dar a volta aos mesmos.
  • A falta dos fatos e gravatas: Olhando para a audiência temo que uma destas duas situações aconteceu este ano neste evento: ou os directores de IT e decisores já sabem todos sobre as vantagens do Linux e do Open Source e por isso não sentem a necessidade de estar presentes num evento como este, ou estes mesmos senhores não têm mais interesse em estar presentes num evento como este porque perderam interesse no tema. Pessoalmente espero bem que a razão para ter visto menos fatos e gravatas seja a minha primeira suspeita, uma vez que devido à crise e à necessidade que as empresas tiveram de reduzir custos e aumentar a produtividade, existiu uma maior procura e abertura para o Linux e para o Open Source como forma de atingir esses objectivos.

Esperemos que para o ano o evento se repita e que seja melhor, maior e que reúna pelo oitavo ano consecutivo todos os adeptos de tecnologias abertas.

0 thoughts on “Linux 2009”

  1. O Paulo gosta muito de se aproveitar destas situações e fazer afirmações que ninguém pode negar ou provar. Mas o que ele não disse, foi o que o contacto da Microsoft tinha ido fazer à assembleia, no entanto tentou sugerir que seria para influenciar contra a adopção do ODF, mas o que não foi capaz de provar foi se a razão foi a de tentar não ser excluído ou evitar que outros fossem escolhidos, e que são razões completamente diferentes como facilmente se percebe, a primeira é perfeitamente legitima aliás foi o que ele fez para garantir a utilização do ODF… já não sei se não tentou a segunda… mas isso ele também não disse…

  2. Obviamente será dificil saber o que de facto a Microsoft foi fazer/dizer à Assembleia e os únicos que sabem com certeza o que se passou serão os intervenientes (Microsoft rep. & deputados).

    Talvez o Paulo saiba mais alguns detalhes e nos possa elucidar mais um pouco sobre este tema.

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