Linux 2008

Mais um ‘Encontro Nacional sobre Tecnologia Aberta‘ realizado no Lispólis. Esta foi a 6ª edição do evento que reúne sempre uma boa visão do que se faz em tecnologias abertas em Portugal.
Este ano contamos com mais algumas presenças internacionais que mostram bem a importância e a imagem que este evento já atingiu em Portugal e além fronteiras.

Deixo aqui alguns destaques:

O dia começou com o François Bancilhon, CEO da Mandriva, e a sua visão sobre o próximo milhar de milhão de novos PCs no mundo, que segundo ele serão maioritariamente PCs de baixo custo para os países “BRIC” (Brasil, Rússia, India e China). A talk dele fez bastante sentido e parece-me uma boa estratégia/posicionamento nestes mercados emergentes que seguramente irão descolar em termos de consumos de PCs e de tecnologia a preços acessíveis nos próximos anos.

O evangelista da Redhat, Jan Wildeboer, teve um discurso muito bem preparado (nota-se que o homem tem quilómetros de palestras e conferências sobre Linux) sobre diversas questões, actualidades das tecnologias abertas e da Redhat. Uma conversa ligeira sobre temas de interesse genérico, sempre com muita presença e fluidez.

A apresentação ‘Peugeot: a alternativa de gestão empresarial e colaborativa Novell’ mostrou um projecto já com uma dimensão considerável e que teve algumas ideias interessantes como a de efectuar primeiramente a migração para Linux de 300 executivos da Pegeout, dando a sensação que a migração para Linux seria “oferecida” como um bónus para os funcionários. Uma excelente forma de abortar a “resistência à mudança”, contando com o factor de “inveja” para derrubar essa aversão que a maioria das pessoas tem às alterações, especialmente no que diz respeito a sistemas informáticos.

O debate antes do almoço foi como alguém o disse “mais do mesmo”, ou seja, igual ao do ano passado. Exclusivamente com “ataques” à Microsoft (começo a ganhar um certo de respeito pelo Marco Santos por continuar a dar a cara pela Microsoft e, quer concordemos ou não, a ser a voz neste evento da Microsoft sobre alguns temas influentes para as TI), com muito pouco “sumo” e com intervenientes a mais.

Da parte da tarde destaco obviamente a apresentação da SAPO intitulada ‘Implementação de Plataformas Web de alta disponibilidade sobre Open Source’ que tornou a evidenciar a abertura que eles continuam a ter relativamente a tecnologias abertas. Nomes/Produtos/Aplicações como Nagios, Cacti, Memcached, Perlball foram explicadas com uma simplicidade técnica muito fluida e bastante exemplificativa dos problemas encontrados com a optimização e redundância necessária para um portal com as dimensões do sapo.pt.

UCoIP (Unified Communications over IP) foi o tema da apresentação do Raul Oliviera que mostrou as capacidades desta tecnologia e do seu IPbrick.GT. Sem crashes, sem delays e com um à vontade característico dos homens do Norte, o Raul demonstrou em tempo real as potencialidades em comunicações de voz sobre IP do produto IPbrick. Visão e inovação no mesmo produto que certamente se tivesse origem nos Estados Unidos da América estaria já comprado por algum grande player do mercado.

Claro que nem tudo, IMHO, foram aspectos positivos neste evento (como em qualquer evento), por isso deixo aqui algumas notas pessoais menos positivas:

  • Apresentações Sybase e Caixa Mágica: Sei que estes são os organizadores do evento e que merecem o seu “tempo de antena” mas seria interessante tentarem mudar um pouco as suas apresentações. Certamente que a Caixa Mágica terá alguns case-studies interessantes e inovadores que poderia apresentar em concreto e a Sybase poderia mostrar algum do seu portefólio internacional de soluções abertas que desenvolveu ao longo do ano.
  • O debate: Muito curto e com intervenientes a mais! Não sei porque insistem em meter o Marco Santos da Microsoft neste debate, porque assim continuam a monopolizar o debate com questões de interoperabilidade e de ‘OOXML vs. ODF’. Uma forma de dinamizar o debate poderia passar também pela cronometragem das intervenções de cada elemento da mesa e assim aumentar drasticamente o número de questões respondidas. As questões colocadas pelo público também poderiam ser alteradas: Um formulário a ser preenchido a quando do sign-in no evento poderia levar a que o número de perguntas do público aumentasse consideravelmente, para além de se conseguir filtrar algumas perguntas de “guerrilha”.

Espero que este evento continue a evoluir e que para o ano seja maior, melhor e com mais temas abordados.

0 thoughts on “Linux 2008”

  1. Excelente post Hugo! Relativamente ao debate, a minha proposta vai para (além de banir o Marco dos Santos), convidar a Fátima Ferreira e fazer um Prós e Contras sobre o OpenSource. O tema podia ser por exemplo modelos de negócios e as vantagens e disvantens do opensource no mundo empresarial. Mas desta vez o Paulo 300 escusava tentar por-se em bicos de pé à frente da Microsoft 🙂

  2. Só tive a oportunidade ver as primeiras 3 apresentações após a hora de almoço. O evento estava atraso de foi tudo um bocado à pressa de modo a cumprir a agenda.
    Gostei da apresentação da empresa que implementou SAP em alta disponabilidade. Uma coisa simples, mas que para o empresário distraído passa a ideia que se consegue juntar opensource e aplicações proprietárias no mesmo projecto com menos custos e mais estabilidade.
    O Espanhol foi apresentar uma solução para 1500 caixas de mails com o groupware em plano de fundo, mas aparentemente a arquitectura era bastante escalável.
    Das três gostei mais da apresentação do INE. Uma migração a sério, quer em números quer nos vários elementos migrados, desde da rede até ao PC.

    Dei a dica que o Hospital da Luz tem para lá muita coisa em opensource, e certamente daria um bom case-study para o próximo ano. Penso que foi a Siemens que implementou, nao tenho a certeza.

    Normalmente o debate é a parte menos interessante do evento para mim porque caí sempre em extremismo, e eu sou apologista que no meio está a virtude.

  3. Gosto de ver que o evento deste ano tem sido alvo de muita discussão. Creio que a ideia apresentada de selecção prévia de questões para o debate pode ser uma ideia bastante interessante e que poderemos avaliar para o próximo ano. Quanto à presença do Marcos Santos da Microsoft, deixem-me que vos diga em nome da organização que ele e a Microsoft serão sempre convidados e bem vindos a participar, pois como o Gonçalo disse e muito bem, é no meio que está a virtude e se queremos debater os diversos temas do mercado, temos de ter a visão open source e a visão proprietária dominante, e aí não há forma de escapar à Microsoft. Somos a favor da pluralidade, o que seria do azul se todos só gostassem do amarelo?

    Enquanto responsável do evento, agradeço todas as opiniões construtivas que nos possam dar de modo a melhorarmos ainda mais.

    O artigo que foi escrito e que está a despoletar estes posts, traz-nos uma visão bastante interessante do evento e reforça a nossa ideia de termos apostado correctamente nos oradores convidados.

    Contem que para o ano em Abril haverá mais um evento sobre tecnologia aberta.

  4. Relativamente ao evento de forma geral numa escala de 0-10 considero-o em 7,5. As apresentações da manhã achei-as francamente positivas, assim como as que vi de tarde. Achei interessante a apresentação da oficina, não pela dimensão do projecto mas sim pelo de pequenas empresas não terem medo do “papão” OS.

    Quanto ao “debate” de facto a forma não foi brilhante. Não se pode chamar debate aquele formato. De facto o um contra quase todos (não percebi o que defendia a Novell) não favorece ninguém, nem os intervenientes, nem o público. Num debate é suposto debaterem-se ideias e não ficar pelo mero expor de opiniões.

    Ocorreu uma coisa no evento que me deixou relativamente preocupado, que foi a assinatura de um “protocolo” entre a AMA e a ESOP, temo que este protocolo sirva para legitimar outras situações.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *