Chip nos veículos. Começo a ficar preocupado.

A recente aprovação pelo Governo do chamado “chip” a instalar em todos os veículos autorizados a circular em auto-estradas irá provocar IMO um sério abano à privacidade dos automobilistas. Claro que os entendidos na matéria vem já dizer que não será guardada qualquer informação nesse chip, excepto um inofensivo número único e que não haverá cruzamento automático de base de dados, mas não bastará a capacidade de leitura desse número por qualquer “Zé Ninguém” uma real violação de privacidade?

Do pouco que sei este “chip” não será muito diferente de uma tag RFID e se assim for a informação dessa tag poderá ser lida por qualquer leitor RFID de 30€! Ora vocês podem-me dizer que entre as actuais matriculas (únicas e intransmissível entre veículos) e o chip, somente é adicionada a  leitura electrónica e remota do tal número (chamemos-lhe então nova “matricula eléctrónica”) mas a mim faz-me imensa confusão perder a percepção de como e quando estão a obter este dado.
Com esta nova “matricula eléctrónica” será extremamente fácil e barato construir uma Base de dados com coisas tão triviais como:
– A que horas chego ou saio do trabalho;
– Quantas horas passo dentro do shopping;
– Em que dia e a que hora passei em determinada rua;
– Qual a média de velocidade entre um ponto inicial e um ponto final.

Agora aliemos essa informação ao também tão badalado “Cartão de Cidadão” e ao “Passaport electrónico” e temos aqui um rico cozido de informação extremamente valiosa. Mas este mashup fica para outro post.

USB RFID Reader

Como alguém dizia: “Paranoid people live longer

0 thoughts on “Chip nos veículos. Começo a ficar preocupado.”

  1. Sim, são problemas inerentes ao uso de RFID, contudo o mais interessante no meio disto tudo é que quem for gerir isso é uma “sociedade anónima” e não uma empresa publica ou semi-publica.

  2. Eu acho, por exemplo, que quem tem via verde, tem o mesmo problema. Aqui, só o facto de ser obrigatório, torna a questão problemática. Mas muito haveria para dizer acerca disto.

  3. Não vejo qual é o choque…há quantos anos, temos cartões de débito, crédito, via verde em auto-estradas e parques de estacionamento??

    Temos aqui uma série de dados que podiam ser cruzados…até ver, não houve nenhum problema…

    Aliás, num país onde o GPS é moda e ninguém obrigou ninguém a comprar essa treta, não vejo onde está a paranóia!!

  4. Também acho um pouco exagero Hugo.

    É verdade que se poderá fazer isso tudo que dizes mas também já o é (tecnicamente) sem essas tags :o)

    Se usares uma camera que faça reconhecimento óptico consegues ter o mesmo tipo de informação (talvez até possas extrair mais…).

    O que quero dizer é que me parece que, pelo teu raciocínio (..”a mim faz-me imensa confusão perder a percepção de como e quando estão a obter este dado”..), também te sentes assim por não conseguires olhar 360 graus à tua volta ;o)

    Hugz,
    Luís

  5. Eu para já estou bastante céptico relativamente a esta solução em termos de privacidade, para além de não me agradar nada o pagamento automática nas SCUT (sim, porque afinal de contas esta é a principal razão para esta implementação tecnológica).

    E clonar um RFID? Trivial! Ok vocês podem dizer que também se podem copiar matriculas muito facilmente, mas faz-me confusão estas modernices! 🙂

    A única vantagem que actualmente prevejo é o potencial para recuperação de carros roubados.
    Já estou a imaginar a Manuela Moura Guedes no telejornal da TVI: “O veículo furtado através do método de carjacking foi interceptado na SCUT, após detecção automática por parte das ‘gateways’ de pagamento e precedida uma perseguição em alta velocidade… e assim vai Portugal!”

  6. Engraçado é que aposto que isto vai ser mal feito. Eu aposto sempre na incompetência das pessoas e isto na segurança informática é quase sempre verdade.

    Suponho que vão fazer isto da matrícula com tecnologia proprietária, sem escrutínio público e no fim vão utilizar uma gama da frequências não regulada.

    Depois de tudo implementado, pessoas como eu, vão começar a fazer jammers e a destruir a funcionalidade do sistema. O estado vai perceber que não pode desregular isso porque o espectro é gerido por uma entidade supranacional e tudo vai ser destruído. 🙂

  7. Phil, o exemplos enumerados pecam na obrigatoriedade do uso dos mesmos e no controlo por parte do cidadão de quando lhe estão a ler os dados, pormenores.

    Hugo, os ladrões de carros não são assim tão parvos.

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